". . . porque todo grande artista guarda uma imensa indignação política por detrás de cada beleza inventada . . ."
[uF]

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O QUE NÃO SE MEDE






















ilustração de Marina Papi .
Se deixar levar, nesse tempo
num tal verso que se escreve
e levantar um contentamento
observar, gesto que se percebe

E pra irradiar um sentimento
numa emoção que se concebe
basta manifestar encantamento
numa paisagem que se descreve

às vezes parece que não mais aguento
medo que trava, me cala e me impede
de desfrutar o então único momento
de aproveitar o que é tão... tão breve

E sem aviso eis que eu me ausento
numa solidão tal que se-me atreve
coração em total descontentamento
inefável paixão à que estou entregue

Sem ter direção só me arrebento
Os teus olhos, nunca os esfregue
Acredite que você está propenso
a receber exatamente o que pede

Se surpreender com o próprio invento
é celebrar o novo que enfim se recebe
é descortinar um total conhecimento
e calar a dúvida que enfim se despede

Só mesmo quando estou bem atento
reconheço a tal felicidade, é tão leve
tão presente e invisível, feito o vento
tão quente e imbatível, como a greve

Desejo é sempre algo foguento,
não há mesmo alguém que o releve...
Atração é fogo, o mais grudento!
Tal alegria-vida: "o que não se mede"

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