". . . porque todo grande artista guarda uma imensa indignação política por detrás de cada beleza inventada . . ."
[uF]

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Soneto da Afinidade














ilustração de Marina Papi .

(sistema rítimico de rimas análogo ao do soneto da fidelidade,

de Vinicius de Moraes) .


De tudo ao meu redor só sinto o vento

os olhos fechados através do encanto

os sentidos fortes e o coração de santo

o amor pulsando em cada pensamento


A vida é amiga de quem viver cada momento

e em seu calor eu desejo aquele tal, um tanto

quanto intenso, seja alegria ou então pranto

corajoso e que se arrisca, genuíno sentimento


Sendo assim, não há nada que enfim me cure

quem sabe a sorte, encanto que sim, já tive

quem sabe a imensidão, mistério que derrama


Eu possa então reencontrar aquele amar que me vive

e que é natural, e imune a todo ou qualquer outro drama

que estimule firme tal emoção leal, que dure e que perdure...


(gozando a existência, como um fogo, que inflama)

uF



Soneto da Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes


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