". . . porque todo grande artista guarda uma imensa indignação política por detrás de cada beleza inventada . . ."
[uF]

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Infarto Afetivo
















ilustração de Marina Papi .

Meu riso hoje acordou leve

sorrindo afetuoso até alcançar

a leveza dum floco de neve

que é natural em se fazer nevar


Sinto-me pleno e nutrido de amor

meus braços querem tanto abraçar

meu corpo expulsa um novo calor

é difícil dizer, queria mesmo mostrar


Finalmente pude aceitá-la assim como ela é, a felicidade

sempre maior no entusiasmo que em qualquer euforia

aprendi que só sendo humilde se pode ser feliz de verdade

minha natureza, meu passo, é só pura expressão de alegria


Hoje reencontro aquele traço, desenho de minha essência

que é sutil na beleza, e é incólume de qualquer indecência

Divisão também sempre multiplica, bastando ter paciência

Doação é também recebimento, é alma sabida, permanência


Encontro paz na vivência simples dum pessoal tal prazer

Só sabe se é mesmo capaz quem arrisca, quem faz acontecer


Sinto-me tão vivo, firme em minha nova diretriz

Imaturo é só o meu ego, desejando querer ser feliz

Quem vive num desejo todo solto, o faz como uma meretriz

quem se entrega aos ruídos revoltos é sinal que está infeliz


Meu sorriso quer esticar a flor do horizonte

num silêncio tão denso tal qual o de um monge

e quer contagiar inclusive o que há lá bem longe

sedento pra experimentar o sabor único da fonte


Feito um par de andorinhas esses meus olhos

dançam catárticos abraçando toda a paisagem

eles transformam tudo ao meu redor em arte

concisa e discreta, capturada em cada imagem

arquetipo daquela epifânia que sempre me reparte

num coração que vai além, anterior à linguagem

vida plena-plena traz sempre o risco dum infarte

tenso e ameno

intenso e sereno:

Indomável amor, ventania num carisma selvagem

Não mais dói a dor em quem faz sempre sua parte

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