
Meu riso hoje acordou leve
sorrindo afetuoso até alcançar
a leveza dum floco de neve
que é natural em se fazer nevar
Sinto-me pleno e nutrido de amor
meus braços querem tanto abraçar
meu corpo expulsa um novo calor
é difícil dizer, queria mesmo mostrar
Finalmente pude aceitá-la assim como ela é, a felicidade
sempre maior no entusiasmo que em qualquer euforia
aprendi que só sendo humilde se pode ser feliz de verdade
minha natureza, meu passo, é só pura expressão de alegria
Hoje reencontro aquele traço, desenho de minha essência
que é sutil na beleza, e é incólume de qualquer indecência
Divisão também sempre multiplica, bastando ter paciência
Doação é também recebimento, é alma sabida, permanência
Encontro paz na vivência simples dum pessoal tal prazer
Só sabe se é mesmo capaz quem arrisca, quem faz acontecer
Sinto-me tão vivo, firme em minha nova diretriz
Imaturo é só o meu ego, desejando querer ser feliz
Quem vive num desejo todo solto, o faz como uma meretriz
quem se entrega aos ruídos revoltos é sinal que está infeliz
Meu sorriso quer esticar a flor do horizonte
num silêncio tão denso tal qual o de um monge
e quer contagiar inclusive o que há lá bem longe
sedento pra experimentar o sabor único da fonte
Feito um par de andorinhas esses meus olhos
dançam catárticos abraçando toda a paisagem
eles transformam tudo ao meu redor em arte
concisa e discreta, capturada em cada imagem
arquetipo daquela epifânia que sempre me reparte
num coração que vai além, anterior à linguagem
vida plena-plena traz sempre o risco dum infarte
tenso e ameno
intenso e sereno:
Indomável amor, ventania num carisma selvagem
Não mais dói a dor em quem faz sempre sua parte
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