
ilustração de Marina Papi .
você
me vê, me adora e me irrita
desejo
que aflora e você complica
diz
que já foi mas acaba que fica
você inventa outros amores
e
disfarça pra fugir das dores
finge
ver onde não há cores
Você, querendo ser alguém seguro, só imita
As suas
próprias invenções, você as evita
Pra que então que se coloca em minha fita?
Pra que então que se coloca em minha fita?
Conhecemos
nossas friezas e calores
e
dividimos alegrias e também horrores
ouvimo-nos
feito música, compositores
tentamos
sempre entender como que explica
união
que se estende, não entende, se estica...
Não conseguimos definir o que a gente pratica
somos
um do outro como que... instrutores?
ao
mesmo tempo disfarçamos, bons atores
Mas os corações se ouvem; dois tambores
Será amizade o que nessa realidade se aplica?
Invés de dividir a gente acaba que só multiplica
o
que tudo isso que nós inventamos nos implica?
Teus
olhos às vezes me atropelam feito tratores
e simplesmente aceito quase tudo que impores
segredos intuídos são movimentos, se sedutores
essa troca de epifanias que nos é sempre muito rica
traz um olhar tão misterioso que, parece, me suplica
e tal brilho é desejo, maior que fome, essa tua larica
e tal brilho é desejo, maior que fome, essa tua larica
um
com o outro somos tanto alunos como também professores
Em um conjunto todo nosso de utopias vivas, nós, fabricAmores
disfarçando intenções é que experimentamos os tantos sabores
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