". . . porque todo grande artista guarda uma imensa indignação política por detrás de cada beleza inventada . . ."
[uF]

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Bate Papo em post de Facebook:




O que meus olhos não vêem, meu coração sente dobrado . . .
Ô se sente...

nao curti :(

infelizmente....
difícil é saber aceitar a inevitabilidade da dor e deixá-la expressar-se de uma vez, pois ao evitá-la acabo prolongando-a em sofrimento...Mas vivo, vivo e aprendo a cada dia um pouco mais e vou crescendo, ou seja, aprendendo a ser feliz
é exatamente isso! ser feliz também dói. engana-se quem acha que ela vai acabar.....

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

..eita




















ilustração de Marina Papi .

APROVEITA.
Fique bem sempre que puder, e quando não puder procure ao menos tentar ficar um pouco melhor, de pouquinho em pouquinho, até ficar bem de novo. Aproveite as oportunidades mesmo que elas não te pareçam agradaveis. APROVEITE. Agradeça. Fortaleça-se o maximo que conseguir. E aprenda mais, sempre tem algo que aprender, sempre. Aquele suspiro de "to de saco cheio" é só o seu lado covarde com medo de enfrentar a responsabilidade monumental que acompanha o individuo que decide ser feliz. Tome essa decisão, pra você mesmo. SEJA FELIZ. Curta ser feliz, e aproveite. Porque é assim que deve ser... Viver feliz, é assim que deve ser...
((É curioso que quando a gente diz uma coisa pra alguém desse jeito, profundo, se analisarmos bem vemos que no fundo estamos querendo dizer tudo isso é na realidade pra nós mesmos..)) eita..

domingo, 17 de julho de 2011

Três Auroras










ilustração de Isabel Bardy Noronha .

Enfim juntos, reunidos nesse instante
seguimos plenos, soltos, decididos
passos ecoando, vegetação abundante
e andares serelepes, pés descontraídos,

Caminhantes ou andarilhos, esquecidos
e vibrantes de alegria em paz que aflora
e com ponteiros relaxados, e distraídos
nossos relógios não informam a hora
nem os minutos,
nem os segundos,
e só há instantes
e sempre é agora!

E serenamente caminhamos, tranquilos
cientes que esse belo Mundo nos adora
e nos adorna em suas paisagens e estilos
e com perfumes nos enfeita e nos decora

E então nos encanta em humores invertidos,
sorrindo dores esquecidas, vivos, três agoras
A epidemia nossa de entusiasmos divertidos
que acende as nossas almas, nós, três auroras

Novos tempos sem ponteiros intrometidos
onde a coragem naturalmente se revigora
e um Amor e um bom humor são difundidos
e medo e raiva simplesmente vão embora

Nosso horizonte sempre enxerga avante
e nossos sonhos, num instante, reunidos
juntos, conquistam um desafio fascinante!
Natureza esplendorosa e nós: três amigo


Ao Investigarmos e explorarmos a natureza
e o inesperado, o novo, o belo e desconhecido,
estamos na realidade explorando nós mesmos
e encontrando o Novo onde parecia conhecido...

Observar a si mesmo é como um carrossel:
gira-se no ser, que de tão misterioso e bonito 
é paradoxo ao estudar, universo onde habito
como se todo ele coubesse num único céu:
um só infinito!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

E_terna Pro_cura








ilustração de Marina Papi .

Me atinge então a ilusão relâmpago

nos dizendo que tudo vai dar certo

um calafrio intalado em meu âmago

arde forte quando não está por perto


Trago comigo essa insistente vontade

sempre, mergulhar no horizonte aberto

de aventuras labirínticas na intimidade

desse teu olhar que me estuda esperto


Sei que lá bem fundo você é consciente

Quero saber precisamente o que pensa

dessa inexplicavel amizade transparente

que nos deixa essa saudade tão imensa


Porque às vezes eu fico assim tão carente

sem que haja nada que então me convença

que essa paixão em mim é mesmo inerente

e é o entusiasmo dessa minha vida intensa?


Sinto-me emoção total no agir inconsequente

Mesmo eu sendo tão formal ao pedir licensa

Pois ao te roubar aquele beijo te vi sorridente

Tentou fugir mas derreteu em minha presença


Ele nos conduz discreta e dissimuladamente

tal elixir hormonal, jamais há quem o vença

Num profundo cachote emocional irreverente

nos trás uma visão mais ampla e mais extensa


da vida e do amor que amenizam a procura

amaciam o medo da própria malemolência

e quebram as travas todas numa só ruptura

que nos leva a desfrutar da nossa inocência


Numa explosão a nossa coragem se mistura

desfazendo todo o nosso medo e resistência

juntos nós inventamos nossa própria cultura

criamos nossa Religião, nossa Arte e Ciência

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O QUE NÃO SE MEDE






















ilustração de Marina Papi .
Se deixar levar, nesse tempo
num tal verso que se escreve
e levantar um contentamento
observar, gesto que se percebe

E pra irradiar um sentimento
numa emoção que se concebe
basta manifestar encantamento
numa paisagem que se descreve

às vezes parece que não mais aguento
medo que trava, me cala e me impede
de desfrutar o então único momento
de aproveitar o que é tão... tão breve

E sem aviso eis que eu me ausento
numa solidão tal que se-me atreve
coração em total descontentamento
inefável paixão à que estou entregue

Sem ter direção só me arrebento
Os teus olhos, nunca os esfregue
Acredite que você está propenso
a receber exatamente o que pede

Se surpreender com o próprio invento
é celebrar o novo que enfim se recebe
é descortinar um total conhecimento
e calar a dúvida que enfim se despede

Só mesmo quando estou bem atento
reconheço a tal felicidade, é tão leve
tão presente e invisível, feito o vento
tão quente e imbatível, como a greve

Desejo é sempre algo foguento,
não há mesmo alguém que o releve...
Atração é fogo, o mais grudento!
Tal alegria-vida: "o que não se mede"

Façamos pArte

















ilustração de Marina Papi .

Me pergunto de onde vem tanta comoção?
Quer dizer, primeiro tem essa curiosidade
que cada artista traz na sua identidade
agitada personalidade, eterna inquietação...

Depois ainda tem aquela rara qualidade
de entender bem, de sentir: de coração
De saber ouvir com natural facilidade
reconhecer qualquer olhar de bondade
e aceitar um estranho como seu irmão

Sempre aquele dom pra amizade
pras pessoas, suas vidas e idéias,
e suas histórias tão bem contadas..

E se há sempre tanta eletricidade
e tanto furor em vontade articulada
é simplesmente porque, na realidade,
todo grande artista em si guarda
uma imensa indignação política
por detrás de cada beleza inventada.

A revolta precisa ser maquiada
perfumada e atraente, engraçada
a revolta precisa ser manipulada
e discretamente ser transformada
numa tal força de vontade
vontade toda melhorada...

e assim o milagre acontece:

o milagre da arte, do artista
do criador, sonhador de fé
do observador, da emoção..

O triunfo das boas energias
quando o bom humor vem
e vence tudo absolutamente
tudo e qualquer coisa e além

revelando na dor a força latente
na dificuldade a oportunidade
na vergonha o lembrete pra mudança
Maquiam seus rostos
provocando preguiças
pra desmaquilar injustiças
convidando para a ação

Rir como a máxima
na expressão da alegria-vida
dispensa idiomas, palavras, raciocínios...
é emoção transbordando
linguagem universal...

Isso é o puro milagre: o bom humor!
lágrimas faxineiras vêm além
As alegrias e intenções de bem
em gargalhadas sublimando amor...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Aquarela de emoções











ilustração de Marina Papi .
curvando a paisagem
vejo o horizonte sorrir
é essa a minha imagem
é céu, é mar, é dividir
Imagino e não é miragem
o que vejo posso colorir
criar é minha linguagem
inventar é também sentir

PERCURSO ATUAL


















ilustração de Marina Papi .

Não reconheço mesmo quase nada
mas sei que alguma coisa se repete
Parece ser tudo novo nessa estrada
Mas algo que eu já sonhei acontece

Estou embarcando nesse entusiasmo
e quero aproveitar cada experiência
embriagado em tal alegria, eu pasmo
saudando a vida e a impermanência

É tempo de sorte e de magia
Algo encantado que enfim aflora
Em tudo decifro uma sintonia
e sinto que é mesmo isso, é agora

Ser feliz é assim: não tem mistério, é só sim!
Aceitar dos desafios a determinação [lá bem interno]
Permitir sorrisos mesmo quando sério, enfim:
Encarar o desconhecido com coração [lá pro eterno]

Não sei exatamente onde vou que tão indo
mas essa caminhada em mim é muito gostosa
Tudo me parece lindo aqui onde nunca findo

e a vida é mesmo inédita sempre que amorosa

Determinada Incerteza



















ilustração de Marina Papi .
A dúvida me é sempre muito apetitosa
Mesmo quando já posso ver a resposta
Prefiro o tempero do risco, e da aposta
e vivo à beira dessa vertigem saborosa

E quem é que disse que existe certeza?
O imprevisível nunca que me desgosta
no paradoxo senta a lógica e se recosta
Não há palavra que explique a natureza

A vida é rígida mesmo que com leveza
e não evito entender a minha emoção
É assim que me nasce alguma clareza

e quando decido encarar a sensação
lanço verdade por sobre a tristeza
permitindo sua livre transformação

ps. (Não existe receita certa para a mutação
mas tudo sempre muda e é essa a beleza
Tudo passa e cuida e vai: pulsa coração...)


domingo, 17 de abril de 2011

Saudação Montanhista















ilustração de Marina Papi .


Vendo a cidade ao longe e me sinto altruísta
sentado feito um monge, particular meditação
Sinto um tal Amor, quente a alegria no coração
e me pergunto se assim estou sendo realista

no pensar invento tanto, sou artista
e tudo que sinto me é sempre inspiração
Me fascina o duelo entre emoção e razão
Vejo sempre muito além da primeira vista

Sem corda ou rumo, sou andarilho e alpinista
passeio em florestas sem ter tempo ou noção
Não existe paisagem à que meu olhar resista

Gosto é de liberdade, de coragem em intenção
meu coração vagabundo me batuca sambista
Inescapável que é me encontrar nessa paixão

Gosto de liberdade, de coragem e intenção
meu coração vagabundo batuca sambista
pois inescapável é me encontrar nessa paixão

sexta-feira, 15 de abril de 2011

VOCÊ É QUEM “FAZ-SINA”













ilustração de Marina Papi .











Não sei bem o que, mas tô à procura
O meu querer é algo que me ensina
Esse desejo pode levar até à loucura
eu só sei sonhar com o que me fascina

Estrelas vêem após a noite escura
e aquela luz da lua tão feminina
espero agindo com desenvoltura
inevitável criar o que se destina

E mesmo na dúvida, estranha tontura
sempre se alcança o que se determina
dor inevitável, mas sofrer é só tortura
a sorte pode estar em qualquer esquina

E uma saudade por dentro me perfura
quero saber o que há atrás da neblina
emoções confusas numa única mistura
essa vida é um filme que não rebubina

Impossível definir minha exata cultura
tudo ao redor minha pessoa se combina
viver não tem borracha, não tem razura
quem realmente vive nunca procrastina

Gosto de ver nas paisagens uma pintura
e invento cores no pôr do sol lá na colina
Cada pedra e montanha parece escultura
Existir vai muito além dessa minha retina

quarta-feira, 13 de abril de 2011

AmpliAção Essenci_all













ilustração de Marina Papi .







Poesia não é feita apenas de papel
não é só o som, e nem é cordel
Poesia é paradoxo, palavra no céu
é o segredo oculto na receita do mel...

A poesia pode conter quase tudo
sem para isso precisar ser nada
Poesia ataca sendo só um escudo
e diz muita coisa mesmo calada

É poesia todo sonho que eu ajudo
minha gaveta de emoções revirada
Sei-me poesia se silêncio, eu mudo
agudo transformar poeta: é salada

Poema é mistura dum entusiasmo sortudo
com superação presente em cada estrada
É ao mesmo tempo íntegro em grito surdo
é sempre ser séria mesmo quando engraçada

Poesia é também puro conto de fadas
tão viva quanto qualquer infância
é o brilho no olhar de cada criança
eclodir de semente e ideias germinadas

Cada par de olhos que as lê
cada alma que as interpreta
cada ideia que então nascer
vem duma vontade inquieta

Dão cambalhotas
e nem são atletas
Festejam revoltas;
utopias concretas

É explicar sem entender
e aprender sem estudar
Invenção de acontecer
o que é real no fantasiar

A poesia é infinitamente rica e pessoal
e mesmo que se esconda ela é coletiva
é arquitetura de ideias, mas desobjetiva
É vocabulário de engenharia emocional

Desconstruindo é que também inventa:
a liberdade é sua estrutura, seu material
Poema é o desejo que, enfim, ele tenta
Poesia nunca cala, amplia só o essencial

segunda-feira, 11 de abril de 2011

TEM que QUER ou TAKE CARE










ilustração de Marina Papi .







você me vê, me adora e me irrita
desejo que aflora e você complica
diz que já foi mas acaba que fica

você inventa outros amores
e disfarça pra fugir das dores
finge ver onde não há cores

Você, querendo ser alguém seguro, só imita
As suas próprias invenções, você as evita
Pra que então que se coloca em minha fita?

Conhecemos nossas friezas e calores
e dividimos alegrias e também horrores
ouvimo-nos feito música, compositores

tentamos sempre entender como que explica
união que se estende, não entende, se estica...
Não conseguimos definir o que a gente pratica

somos um do outro como que... instrutores?
ao mesmo tempo disfarçamos, bons atores
Mas os corações se ouvem; dois tambores

Será amizade o que nessa realidade se aplica?
Invés de dividir a gente acaba que só multiplica
o que tudo isso que nós inventamos nos implica?

Teus olhos às vezes me atropelam feito tratores
e simplesmente aceito quase tudo que impores
segredos intuídos são movimentos, se sedutores

essa troca de epifanias que nos é sempre muito rica
traz um olhar tão misterioso que, parece, me suplica
e tal brilho é desejo, maior que fome, essa tua larica

um com o outro somos tanto alunos como também professores
Em um conjunto todo nosso de utopias vivas, nós, fabricAmores
disfarçando intenções é que experimentamos os tantos sabores

o embalo da impermanência
















ilustração de Marina Papi .
... em tão pouco tempo
é possível tanta coisa mudar
mudar tanto
que até o passado
já não permanece o mesmo
e o futuro muda sempre antes que consigamos chegar nele

tudo isso em tão pouco tempo
tão pouco tempo

depois que vivermos oitenta e tantos anos
saberemos finalmente
que foi tão pouco tempo
para tanto mistério
que vai morrer com agente...

RUA: Tua-Lua-Nua










ilustração de Marina Papi .


Luz do poste derramando sobre o asfalto
os risos e os grilos, carros e vozes; sambas
Iluminada, a rua toda vibra em sobressalto
pés ou pneus, todos vão passando bambas..

Até encontros marcados são inesperados
nessas esferas sociais, colegas e paqueras
são esperas, em filas, tão folias que galeras
Monstros quietos em disfarçe de quimeras
estão camuflados todos malandros safados

A sede duma libido oculta
despudorada e sem culpa

Olhares tão soltos e incertos
mas livres de quem os insulta
O caminho é aberto, é certo.
E é sem pedágio e nem multa

O tempo é esperto, é espaço
presságio-criação infinita e avulsa
Sentimento que é perto, enlaço
pois frágil é razão e a sua repulsa...


caía sobre nós
aquela noite crua
a minha vontade
era igual à sua

e toda essa tua rua
é a nossa Lua, nua!

Tua rua, toda sua
me atua, feito Lua.


ilustração de Marina Papi .

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Infarto Afetivo
















ilustração de Marina Papi .

Meu riso hoje acordou leve

sorrindo afetuoso até alcançar

a leveza dum floco de neve

que é natural em se fazer nevar


Sinto-me pleno e nutrido de amor

meus braços querem tanto abraçar

meu corpo expulsa um novo calor

é difícil dizer, queria mesmo mostrar


Finalmente pude aceitá-la assim como ela é, a felicidade

sempre maior no entusiasmo que em qualquer euforia

aprendi que só sendo humilde se pode ser feliz de verdade

minha natureza, meu passo, é só pura expressão de alegria


Hoje reencontro aquele traço, desenho de minha essência

que é sutil na beleza, e é incólume de qualquer indecência

Divisão também sempre multiplica, bastando ter paciência

Doação é também recebimento, é alma sabida, permanência


Encontro paz na vivência simples dum pessoal tal prazer

Só sabe se é mesmo capaz quem arrisca, quem faz acontecer


Sinto-me tão vivo, firme em minha nova diretriz

Imaturo é só o meu ego, desejando querer ser feliz

Quem vive num desejo todo solto, o faz como uma meretriz

quem se entrega aos ruídos revoltos é sinal que está infeliz


Meu sorriso quer esticar a flor do horizonte

num silêncio tão denso tal qual o de um monge

e quer contagiar inclusive o que há lá bem longe

sedento pra experimentar o sabor único da fonte


Feito um par de andorinhas esses meus olhos

dançam catárticos abraçando toda a paisagem

eles transformam tudo ao meu redor em arte

concisa e discreta, capturada em cada imagem

arquetipo daquela epifânia que sempre me reparte

num coração que vai além, anterior à linguagem

vida plena-plena traz sempre o risco dum infarte

tenso e ameno

intenso e sereno:

Indomável amor, ventania num carisma selvagem

Não mais dói a dor em quem faz sempre sua parte

Anestesia que dói









ilustração de Marina Papi .

Magma vibrante, fluido e sentimental

íntimidade errante, profunda e abissal

abalo sísmico, cismando me trazer à tona

o desconhecido ser-me eu, no mais atual

que mal reconheço mas que sempre retoma

tudo muda sempre, a moda agora é cafona

Mas algo permanece, algo continua igual


então me estranho, tudo me passa e me foge,

como se eu acordasse de um longo coma

existo alheio a tudo, como isso pode?

Agrego em mim cada vivência que soma


Que mixto-mistério é esse, caldo de emoção?

Que sensações são estas em árdua erupção?


Por tanto tempo eu não me fui

e nisso perdi a conta, dos dias

das horas, dos sonhos, das perdas

permiti pedras florescerem, pura agonia

uma avalanche a soterrar minha alegria


A alegria é, simples e naturalmente, pura vontade de viver

Agonia é sofrer, inerente à realidade que dói sem renascer (?) ...


Eu corro, em fogo, calor de fugir sem aquecer

me escondendo das memórias e intrigas

abandonando as regras do jogo, só pra saber


Qual de todas as inúmeras mentiras

me reinventa e me recicla,

sem que eu possa perceber?


Não engulo o grito

fujo do que omito

mudo de assunto

Eu minto..


pra entender, confundo

e esclarecer à fundo

esse conjunto mundo:

universo que sinto...


Soneto da Afinidade














ilustração de Marina Papi .

(sistema rítimico de rimas análogo ao do soneto da fidelidade,

de Vinicius de Moraes) .


De tudo ao meu redor só sinto o vento

os olhos fechados através do encanto

os sentidos fortes e o coração de santo

o amor pulsando em cada pensamento


A vida é amiga de quem viver cada momento

e em seu calor eu desejo aquele tal, um tanto

quanto intenso, seja alegria ou então pranto

corajoso e que se arrisca, genuíno sentimento


Sendo assim, não há nada que enfim me cure

quem sabe a sorte, encanto que sim, já tive

quem sabe a imensidão, mistério que derrama


Eu possa então reencontrar aquele amar que me vive

e que é natural, e imune a todo ou qualquer outro drama

que estimule firme tal emoção leal, que dure e que perdure...


(gozando a existência, como um fogo, que inflama)

uF



Soneto da Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes


quinta-feira, 31 de março de 2011

Diretriz da seta












ilustração de Marina Papi .

Do que adianta estar diante da pura verdade

e não poder conter essa imensa vontade

de pedir desculpas, toda hora, repetidamente?


De cada erro estúpido, que só agora é consciente

adiantaria de alguma coisa meus amigáveis perdões?

Se sou eu mesmo quem ainda não me perdôo

será inútil ser poliglota de inúmeros outros corações?

Não consigo interpretar o meu próprio agouro...

Se o meu próprio coração é indecifrável nas emoções

sou incapaz de traduzir seu chôro e suas reais intenções...


De que me adianta pois ficar criando esse isolamento,

esse mórbido elogio à solitária e escondida distância

numa espera da ilusão de um sentimento de segurança?

Esse meu solitário silêncio em nada afeta

Me escondendo

me evitando

feito criança com uma emoção secreta


Enfrentando os erros é que se revela e se renova a meta

É na coragem de cumprir as curvas que se atinge a reta

Nem tão explodindo, nem tampouco quieta

a mente serena é atenta e é também aberta


Sem medo de errar, é preciso estar sempre alerta

é graças ao risco de tentar que algum dia se acerta

Mesmo confrontado com a emoção mais sapeca

a alma só está viva no agora, na diretriz da seta..