
ilustração de Marina Papi .
Magma vibrante, fluido e sentimental
íntimidade errante, profunda e abissal
abalo sísmico, cismando me trazer à tona
o desconhecido ser-me eu, no mais atual
que mal reconheço mas que sempre retoma
tudo muda sempre, a moda agora é cafona
Mas algo permanece, algo continua igual
então me estranho, tudo me passa e me foge,
como se eu acordasse de um longo coma
existo alheio a tudo, como isso pode?
Agrego em mim cada vivência que soma
Que mixto-mistério é esse, caldo de emoção?
Que sensações são estas em árdua erupção?
Por tanto tempo eu não me fui
e nisso perdi a conta, dos dias
das horas, dos sonhos, das perdas
permiti pedras florescerem, pura agonia
uma avalanche a soterrar minha alegria
A alegria é, simples e naturalmente, pura vontade de viver
Agonia é sofrer, inerente à realidade que dói sem renascer (?) ...
Eu corro, em fogo, calor de fugir sem aquecer
me escondendo das memórias e intrigas
abandonando as regras do jogo, só pra saber
Qual de todas as inúmeras mentiras
me reinventa e me recicla,
sem que eu possa perceber?
Não engulo o grito
fujo do que omito
mudo de assunto
Eu minto..
pra entender, confundo
e esclarecer à fundo
esse conjunto mundo:
universo que sinto...
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