". . . porque todo grande artista guarda uma imensa indignação política por detrás de cada beleza inventada . . ."
[uF]

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Anestesia que dói









ilustração de Marina Papi .

Magma vibrante, fluido e sentimental

íntimidade errante, profunda e abissal

abalo sísmico, cismando me trazer à tona

o desconhecido ser-me eu, no mais atual

que mal reconheço mas que sempre retoma

tudo muda sempre, a moda agora é cafona

Mas algo permanece, algo continua igual


então me estranho, tudo me passa e me foge,

como se eu acordasse de um longo coma

existo alheio a tudo, como isso pode?

Agrego em mim cada vivência que soma


Que mixto-mistério é esse, caldo de emoção?

Que sensações são estas em árdua erupção?


Por tanto tempo eu não me fui

e nisso perdi a conta, dos dias

das horas, dos sonhos, das perdas

permiti pedras florescerem, pura agonia

uma avalanche a soterrar minha alegria


A alegria é, simples e naturalmente, pura vontade de viver

Agonia é sofrer, inerente à realidade que dói sem renascer (?) ...


Eu corro, em fogo, calor de fugir sem aquecer

me escondendo das memórias e intrigas

abandonando as regras do jogo, só pra saber


Qual de todas as inúmeras mentiras

me reinventa e me recicla,

sem que eu possa perceber?


Não engulo o grito

fujo do que omito

mudo de assunto

Eu minto..


pra entender, confundo

e esclarecer à fundo

esse conjunto mundo:

universo que sinto...


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