". . . porque todo grande artista guarda uma imensa indignação política por detrás de cada beleza inventada . . ."
[uF]

quinta-feira, 31 de março de 2011

Diretriz da seta












ilustração de Marina Papi .

Do que adianta estar diante da pura verdade

e não poder conter essa imensa vontade

de pedir desculpas, toda hora, repetidamente?


De cada erro estúpido, que só agora é consciente

adiantaria de alguma coisa meus amigáveis perdões?

Se sou eu mesmo quem ainda não me perdôo

será inútil ser poliglota de inúmeros outros corações?

Não consigo interpretar o meu próprio agouro...

Se o meu próprio coração é indecifrável nas emoções

sou incapaz de traduzir seu chôro e suas reais intenções...


De que me adianta pois ficar criando esse isolamento,

esse mórbido elogio à solitária e escondida distância

numa espera da ilusão de um sentimento de segurança?

Esse meu solitário silêncio em nada afeta

Me escondendo

me evitando

feito criança com uma emoção secreta


Enfrentando os erros é que se revela e se renova a meta

É na coragem de cumprir as curvas que se atinge a reta

Nem tão explodindo, nem tampouco quieta

a mente serena é atenta e é também aberta


Sem medo de errar, é preciso estar sempre alerta

é graças ao risco de tentar que algum dia se acerta

Mesmo confrontado com a emoção mais sapeca

a alma só está viva no agora, na diretriz da seta..

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