
ilustração de Marina Papi .
pisa o pé devagarinhosente os primeiros grãos de areia tocar-lhe
e então enfia o pé enterrando-o desengonçado
como se fosse ele ser por inteiro soterrado..
caminha pesado, a areia cansa..
o sol nem sente, procura o cheiro úmido
da brisa marítima de dança
sente a maresia enebriar-lhe
e então o som das ondas o congela
fica imóvel para ouvir melhor
olhos fechados pra abrir-se, janela
quer calar mas não consegue
sorri de corpo e braços abertos
não há porque esperar, o convite está dado
e fica ali, adiando e estendendo aquele momento
coloca o pé devagarinho até sentir-se em derretimento
e então derrete-se feito ela, a água
e se joga, faz das ondas em contra-corrente
seu estímulo de impulso pra agir, nadar
as ondas que vêm contra vão lavando a sua mente
levando o passado pra trás, e de presente o céu, calmo, e o mar..
Raros momento gosto de comentar uma poesia ou um verso, mas esse aqui é fato, tenho que comentar. Não sei o que comentar ou como comentar, o coração sente e sabe que é poesia aquilo que sente, o ato de versejar qualquer um consegue mas o ato de poetizar poucos conseguem, é um Dom inerente ao tempo e você tem ele. Não vou te dar parabéns, ou te incentivar a continuar, você tem apenas que viver isso!
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